Já Assistimos: A Bruxa (2015)

 


    Durante a década de 1630, após serem banidos da colônia religiosa da qual faziam parte, a família de Thomasin, tenta se reerguer ao firmar sua casa próximo de uma floresta isolada. Após o desaparecimento do irmão mais novo, dúvidas, desconfianças e revolta pairam sobre a família que acredita estar sendo castigada por forças sobrenaturais.

 

** ANÁLISE COM SPOILERS **

 

    A Bruxa, ou The Witch no original, é um filme de época dentro do gênero horror sobrenatural que foi dirigido por Robert Eggers e lançado em 2015.

  Nele acompanhamos a história de Thomasin, interpretada por Anya Taylor-Joy e sua família: seus pais William e Katherine, interpretados por Ralph Ineson e Kate Dickie respectivamente, e seus irmãos Caleb, Mercy e Jonas, interpretados por Harvey Scrimshaw, Ellie Grainger e Lucas Dawson.

   Eles faziam parte de uma colônia religiosa de Plymouth, que era um dos territórios da América Britânica, ou seja, as áreas controladas pelo império britânico nos EUA, Canadá, Guiana e ilhas caribenhas entre os anos 1607 e 1783. Após vários anos, Plymouth se tornou uma das cidades do estado de Massachussets.

   Depois de serem banidos dessa colônia por conta de uma discussão de teor religioso, a família procura um novo recomeço construindo uma casa e se estabelecendo isolados de outras pessoas e próximos a uma floresta densa. William tem total fé de que Deus não os abandonará nesse momento tão difícil, mas quando Samuel, o filho mais novo do casal, desaparece de forma misteriosa, o medo de que exista uma bruxa nos arredores ou entre eles cresce levando todos a desconfiarem de Thomasin, por ser ela que estava tomando conta do bebê quando o mesmo foi sequestrado.

   À princípio, A Bruxa pode parecer um longa-metragem sobre elementos sobrenaturais apenas, mas ele tem diversas camadas e interpretações possíveis. Discussões sobre religião e a intolerância, sobre o papel da mulher enquanto pessoa e também parte de uma família e sociedade, medo do desconhecido e qual seria o real amor de um deus que abandona seus seguidores são alguns dos temas que esta obra nos proporciona reflexão em somente uma hora e trinta e três minutos.

    Eggers dá um show na direção que entrega tudo o que a narrativa pede e ainda mais. Tendo filmado tudo somente com luzes naturais e velas, durante as cenas que se passam dentro da casa, temos uma intensificação na tristeza e frio que sentimos durante todo o longa, o que passa um peso maior para os acontecimentos, nos deixando mais tensos ainda. Os figurinos também são bem convincentes, feitos por Linda Muir, uma renomada designer canadense.

   Definitivamente, para nós, a bruxa é um dos melhores filmes de terror desde os anos 2000. A forma como tudo é construído sutilmente e o fato do roteiro não precisar de diálogos expositivos (aqueles em que os personagens nos explicam coisas de forma direta, sem nos dar margem à interpretação) deixa tudo ainda melhor. Não precisamos que ninguém nos diga sobre como a falta de voz que os pais permitem à Thomasin é um reflexo de um comportamento agressivo contra a figura feminina que, por vezes, é associado à rebeldia, ou que tudo de ruim que a família vive começa acontecer após eles serem banidos da colônia puritana, como se Deus tivesse os esquecido somente porque eles não fazem mais parte daquele seu "fã-clube" específico, por mais que a fé e devoção ainda existam. Também o fato de não termos jump scares melhora tudo pois eu, Petrus, sou um ávido amante do terror psicológico, aquele que procura te deixar com medo, tenso, etc através de uma boa construção de personagens e narrativa.

   Devo admitir que o final de A Bruxa me surpreendeu (de forma positiva) na primeira vez que assisti. Descobrir que o bode, que vivia junto com os outros animais pertencentes à família era um disfarce utilizado pelo diabo para estar sempre vigiando a todos foi algo que me deixou de queixo caído. E o fato de Thomasin aceitar "alegremente" fazer parte do sabá das bruxas e começar a flutuar nos céus junto com as outras presentes eu interpretei como uma metáfora para a "elevação" espiritual que ela tem e o fato dela ter se livrado do "peso" que era a família e a religião para ela, como uma mulher.

  Definitivamente temos aqui, caros leitores, um futuro novo clássico do terror.

 

Plataforma onde assistimos: Cinema


Nota Cinema a Dois: Excelente

 

Confira o trailer:

 

 



   Por aqui o filme foi aprovado pelo casal! E você, já assistiu ao filme A Bruxa? Conta aqui para a gente a sua opinião!

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