Os "Futuros Novos Clássicos" dos Filmes de Horror

    


    O horror é um gênero que levanta muitas polêmicas. Às vezes por conta de notícias de bastidores, por causa de suas temáticas ou por muitas vezes ser ignorado em premiações por jurados que olham para esses filmes com desdém. Apesar de casos assim, é inegável a quantidade de excelentes filmes que temos oriundos desse seguimento: O Iluminado, O Exorcista, Halloween, A Hora do Pesadelo, A Mosca, entre outros.

    A partir de uma conversa sobre nosso amor pelo gênero, Amanda e eu chegamos na pergunta: "quais serão os novos clássicos do terror das gerações mais recentes" (a partir dos anos 2000)? Por conta desse debate, resolvemos fazer uma lista com alguns dos nomes que pensamos serem parte dos "futuros novos clássicos", como gostamos de chamá-los. Alguns nomes como Psicopata Americano e Os Outros, lançados no início da década passada, ficaram de fora por serem candidatos muito óbvios e por até já serem vistos como clássicos.

    Os longas-metragens escolhidos para fazerem parte dessa listagem são filmes que foram destaques e/ou trouxeram uma mudança para o cinema de alguma forma. Seja a partir de ideias inovadoras ou, até mesmo, por terem sido as obras mais comentadas de seus anos de lançamento. Seja por terem revivido algum subgênero que estava em baixa nos últimos anos ou por trazerem tramas e atuações marcantes que ganharam (ou não) o reconhecimento merecido.

    Esperamos que vocês gostem das obras citadas e não deixem de conferir as resenhas que fizemos para cada um deles


  • Atividade Paranormal (2007)

    

    Dirigido, escrito, produzido e editado por Oren Peli, Atividade Paranormal foi definitivamente um sucesso em todos os sentidos da palavra. Tendo arrecadado mais de 190 milhões de dólares contra um orçamento de apenas 15 mil, também foi um sucesso de público e crítica. Com seu marketing genial, o filme foi lançado no formato found footage ("sequências encontradas", em tradução livre). Um subgênero do horror que não tinha ganho destaque desde A Bruxa de Blair, lançado em 1999.

    A obra foi divulgada como sendo uma história real com gravações verídicas de um casal relatando acontecimentos sobrenaturais em sua residência. A intenção de divulgar o filme como sendo uma história verdadeira era tão óbvia que até os personagens tinham os mesmos nomes dos atores que os interpretavam. 

Clique aqui para conferir a resenha de Atividade Paranormal.



  • REC (2007)

    REC é um longa espanhol que abordou a temática de zumbis com o recurso do found footage (já mencionado no filme anterior). Uma das coisas que várias películas desse subgênero já receberam como crítica era o sentimento de "'forçação de barra" de termos personagens preocupados em filmar tudo o que está acontecendo sendo que eles estão em situação de vida ou morte, coisa que neste longa-metragem não acontece. 

    Nele, vemos uma jornalista e seu camera-man acompanhando uma noite de trabalho num corpo de bombeiros na cidade de Barcelona quando são chamados para auxiliar moradores em um determinado prédio onde começam os ataques dos mortos-vivos. 

    Ou seja, faz total sentido que tenhamos uma pessoa gravando tudo o que está acontecendo. Ponto para a criatividade de Paco Plaza, Jaume Balagueró e Luis A. Berdejo sendo os dois primeiros também os diretores responsáveis por esta incrível obra.

Clique aqui para conferir a resenha de REC.


  • Invocação do Mal (2013)


    James Wan já era um nome até que conhecido no meio do cinema de horror quando Invocação do Mal foi lançado. Já tendo dirigido os longas Jogos Mortais (2004), Gritos Mortais (2007) e Sobrenatural (2012), sendo o primeiro um dos responsáveis pelo revival do subgênero torture porn na década passada (filmes desse subgênero caracterizam-se por terem um foco grande em cenas de tortura e dor afim de chocar o público). 

    The Conjuring, o título no idioma original, conta sobre um caso em que o a dupla de investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren se envolveram para ajudar uma família que dizia ter sua residência sendo assombrada em Rhode Island nos EUA em 1971. Muitas pessoas afirmaram na época de lançamento que este era o novo "O Exorcista" por conta das ótimas críticas de público e especializadas e também pela arrecadação gigantesca que o filme teve.

Clique aqui para conferir a resenha de Invocação do Mal. 

 

  • O Babadook (2014)

     O Babadook é um filme independente australiano do gênero horror sobrenatural dirigido por Jennifer Kent, que trata de temas importantes e atuais como relação familiar e depressão. Foi baseado num curta-metragem também dirigido e roteirizado por Kent, lançado em 2005. 

    O longa-metragem teve sua estreia no Festival de Sundance e foi aclamado pela crítica nos EUA e Europa ao mesmo tempo em que não foi um sucesso de bilheteria, tendo somado um pouco mais de U$10 milhões contra seu orçamento de pouco mais de U$2 milhões. Amanda e eu consideramos este um dos melhores longas dessa lista, sem sombra de dúvidas. Tudo envolvendo esta obra é primoroso: sua direção, roteiro, atuações, temática e também a concepção do monstro homônimo. 

Clique aqui para conferir a resenha de O Babadook.  


  • Corrente do Mal (2014)


    Temos aqui um filme curioso por conta de sua temática, algo que chama facilmente a atenção. Na trama, os personagens são perseguidos por espíritos que só podem ser vistos  pelas pessoas que estão sendo caçadas e a forma de virar alvo dessas almas é ao ter relações sexuais com alguém que já estava sendo atormentado anteriormente. É praticamente uma DST do capiroto. Outra coisa interessante é que, na história, se você passar essa doença venérea do Satanás para alguém e as almas a matarem, os espíritos voltam a te perseguir. Então não tem como você se livrar verdadeiramente disso. 

    Essa narrativa com uma metáfora tão evidente para os cuidados que as pessoas precisam tomar sobre relações sexuais aliado a uma direção impecável, uso de luzes mais sóbrias e escuras, atuações na medida e uma trilha sonora muito boa fazem de Corrente do Mal um futuro clássico cult.

    A película estreou no Festival de Cannes em 2014, recebendo críticas muito positivas e arrecadando 10 vezes mais do que seu orçamento "mixuruca" de U$2 milhões.

Clique aqui para conferir a resenha de Corrente do Mal.


  • A Bruxa (2015)


    Dirigido por Robert Eggers, A Bruxa é seu primeiro longa-metragem, sendo então sua estreia como diretor e, caros leitores, que estreia.

    Com temas que falam sobre intolerância dentro da religião até a posição da mulher e sua voz dentro de uma família, o filme te deixa ansioso pelo que vem a seguir desde o início. Seu plot twist (revelação inesperada) no final com certeza será lembrado no futuro como um dos maiores dentro do gênero do horror como foi com O Sexto Sentido e Os Outros, por exemplo (outros dois filmes que adoramos).

    Anna Taylor-Joy está incrível no papel principal como uma menina que está descobrindo as dificuldades de ser uma jovem mulher dentro de um grupo familiar onde ela não tem espaço nas decisões e opiniões. E, como se isso não fosse o bastante, ela precisa lidar com a dor de ter seu irmão mais novo desaparecido e, muito provavelmente, raptado por uma bruxa.

    O Filme é um sucesso de crítica e bilheteria. Anos mais tarde, em 2019, Eggers lançaria o magnífico O Farol, nos certificando que A Bruxa não foi um caso de sorte de iniciante, mas sim o primeiro passo de um diretor iniciante que tem um brilhante futuro à sua frente.

Clique aqui para conferir a resenha de A Bruxa.


  • Invasão Zumbi (2016)


    A forma como a cultura coreana dominou o mundo nos últimos anos é inegável. Desde os grupos de k-pop fazendo mega turnês ao redor do mundo, passando pelas novelas (chamadas de doramas) fazendo parte do catálogo de serviços de streaming de vários países, inclusive o Brasil, é claro que o cinema deles não ficaria de fora (inclusive anos mais tarde teríamos Parasita ganhando o Oscar de melhor filme).

     O diretor Yeon Sang-ho comanda este filme cheio de horror e ação onde vemos a relação entre um pai e sua filha, Seok-woo e Sang-hwa respectivamente, que possuem uma relação fria e distante restabelecendo esses laços em meio a um apocalipse zumbi enquanto Seok tenta levar Sang a Busan para que ela reencontre sua tão amada mãe.

       Com tensão e emoção nas medidas certas, Invasão Zumbi é um dos melhores filmes desse subgênero que já vimos e cativa a todos por ter personagens que nos fazem simpatizar rapidamente e pela construção da relação pai-e-filha tão bem feita.

Clique aqui para conferir a resenha de Invasão Zumbi.


  • Corra! (2017) 


    O primeiro longa de Jordan Peele, um diretor anteriormente conhecido no ramo da comédia, é dono de ótimas críticas e bilheteria. Dialogando sobre racismo através de uma história de horror com elementos fantasiosos e incríveis, temos aqui, caros leitores, uma história que certamente será lembrada como revolucionária.

    A ideia de utilizar de uma situação tão comum como "conhecer os pais da sua namorada" para falar sobre temas tão sensíveis e atuais foi genial e junto com atuações primorosas, temos um prato cheio para quem ama cinema. Direção, roteiro e ambientação são os pontos altos aqui.

    Tendo sua estreia no Festival de Sundance e sendo distribuído nos cinemas pela Universal Pictures, Corra! foi um filme extremamente lucrativo com um orçamento de meros U$4,5 contra uma arrecadação de  U$255 milhões.


Clique aqui para conferir a resenha de Corra!


  • Ao Cair da Noite (2017) 


    Ao Cair da Noite é um filme onde o vilão para um pode ser o herói para o outro, já que temos apenas pessoas batalhando para sobreviverem em meio a uma epidemia que devastou o planeta, deixando poucos remanescente vivos.

    Um longa que usa do drama para intensificar o medo, It Comes at Night no original em inglês, é uma obra marcada pela tensão e preocupação que temos juntamente dos personagens. Qualquer frecha de porta ou janela abertas pode resultar numa morte de um ente querido.

     Sendo sua estreia no Festival Overlook Film, um festival anual para exibições de longas de horror e apresentações ao vivo, o filme recebeu críticas positivas e teve uma bilheteria baixa, mas que pagou seu baixo orçamento de menos de U$5 milhões.

    Em tempos de quarentena por conta do covid-19 (período em que essa lista foi escrita) esse filme é um bom retrato do medo de sair de casa e da contaminação que vivemos nessa época. 

Clique aqui para conferir a resenha de Ao Cair da Noite.


  • Hereditário (2018)


      Hereditário foi o primeiro longa do diretor e roteirista americano Ari Aster. Com a temática sobrenatural e de seitas demoníacas, Hereditary no original em inglês, foi visto e recebido como um grande longa de horror no meio de tantos lançamentos de qualidade duvidosa (A Freira e A Maldição da Chorona, esta indireta é para vocês).

    Nele acompanhamos a família Graham que está passando pelo luto por conta do falecimento da matriarca Ellen Leigh. Após esse momento difícil de superar, eles passam a descobrir mais sobre o passado de Leigh, que tinha uma vida muito privada e que os demais membros da família mal sabiam algo a respeito. 

    A atuação de Toni Collete é fantástica como uma mãe de família que lida com o luto da própria mãe e que começa a enlouquecer por conta de todas as coisas misteriosas que começam a ocorrer com a família. Os demais integrantes do elenco também estão muito bons (prestem atenção na pequena Milly Shapiro, essa garota tem muito potencial).

    Hereditário é um filme para se apreciar pela sua qualidade em todos os aspectos que um filme pode ter. Certamente um futuro grande clássico do horror sobrenatural.

Clique aqui para conferir a resenha de Hereditário.


    E aí, gente, o que acharam dos títulos escolhidos? Já conheciam algum(s) deles? Deixa aqui embaixo a sua opinião de quais mais filmes poderiam ter entrado na lista!

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