Já Assistimos: Violência Gratuita (1997)


Após uma visita inesperada por parte de dois jovens adultos aparentemente comuns, as férias de uma família comum alemã se tornam um verdadeiro pesadelo e um jogo pela sobrevivência.

 

** ANÁLISE COM SPOILERS **

 

Violência Gratuita, ou Funny Games (“Jogos Divertidos” em tradução livre) no original, é um filme alemão dirigido por Michael Haneke que foi lançado em 1997.

Mesmo sendo uma obra muito comentada, nunca tínhamos assistido antes e já nos primeiros minutos era claro que viria algo muito bom. Sua emblemática cena inicial com a família dentro do carro rumo à sua casa de veraneio é interessante por vários fatores. O primeiro deles é pelo fato de ser bem semelhante (talvez uma referência) ao início de O Iluminado, um grande clássico (e meu filme de terror favorito). Também temos o uso da câmera com um leve “chacoalhar”, dando uma sensação de leve desconforto aos mais atentos, que sobrevoa o carro enquanto ele atravessa um caminho cheio de área verde ao redor. E o contraste entre as músicas utilizadas também é algo genial: uma música clássica que é ouvida pelo rádio do veículo é subitamente interrompida por um som de algum subgênero de heavy metal (não manjo tanto assim de metal) extremamente agressivo e violento servindo como uma alusão ao destino dos personagens, que inicialmente é algo feliz e harmonioso e mais adiante será perigoso, mortal e incerto. Ao mesmo tempo em que a música é interrompida, o nome do filme aparece cobrindo quase toda a tela num tom de vermelho que remete à ideia de sangue.

 Outro recurso muito interessante utilizado pelo roteiro de Haneke é quebra da 4ª parede (que é quando um personagem ou mais personagens reconhecem a existência e se comunicam diretamente com os espectadores) por parte de um dos assassinos. Muitas vezes eu vejo esse recurso como algo que me desprende da narrativa, mas aqui só me fez perceber como Arno Frisch, que interpreta Paul (o personagem que conversa conosco), está incrível e é o ponto alto de todo o longa-metragem (sério, a atuação dele é impecável).

O roteiro e a direção sabem bem como nos deixar desconfortáveis e tensos durante todos os 109 minutos de duração. Ao não esconder totalmente o fato de que os jovens que aparecem de repente na casa da família (com a desculpa praticamente cômica de que querem alguns ovos emprestados) são estranhos e agem de forma suspeita, nós ficamos na expectativa de algum dos personagens perceberem isso antes que seja tarde demais.

Uma das coisas que mais gostamos aqui foi o fato de não termos um final feliz. Até mesmo o personagem Paul diz diretamente a nós que ele sabe que esperamos um final verossímil, mais próximo da realidade e não teria como essa história terminar de uma forma boa. A tortura praticada principalmente é a psicológica com o intuito simplesmente de divertir a Peter e Paul enquanto eles veem Anna, Georg e Georg Jr perdendo toda a esperança de sobreviverem, mas não pensem que eles não fazem uso de agressões até porque assim o título brasileiro não faria o menor sentido.

 É interessante também citar o quanto o diretor quer nos deixar imaginar o que está acontecendo durante algumas das cenas mais violentas. Por vezes, enquanto algum personagem está sofrendo algum tipo de abuso, a câmera foca na reação de algum outro presente em cena, sempre com uma expressão de medo e atordoamento o que nos faz imergir ainda mais na história por ficarmos visualizando em nossas mentes o que pode estar acontecendo.

Enquanto eu fazia algumas pesquisas sobre o filme, as pessoas envolvidas e etc, li alguns comentários sobre como ele serve de crítica a toda violência usada na mídia para obter mais atenção e lucro e acreditem, o filme ganha uma nova camada quando passamos a assisti-lo com essa perspectiva.

Violência Gratuita é um filme genial e com ótimas atuações que tiram de um roteiro à primeira vista simples (e que contem grandes ambições) uma obra que deve ser tida como um clássico do suspense psicológico.



Plataforma onde assistimos: Google Filmes


        Nota Cinema a Dois: Muito Bom


        Confira o trailer:




 

Por aqui adoramos o longa! E aí, já assistiu a Violência Gratuita? Conta aqui embaixo a sua opinião!

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